novembro 2010


          Hoje, gostaria de compartilhar – o que se faz com amigos, mesmo que virtuais – de uma micro-felicidade. Talvez alguns já tenham lido ou ouvido falar do livro A conspiração aquariana. Transformações pessoais e sociais nos anos 80, de Marilyn Ferguson. Como o título deixa entrever, ele discute as modificações comportamentais ocorridas a partir da década de oitenta em todo o mundo. Modificações estas que dizem respeito, grosso modo, ao pensamento Ocidental que passa então a assimilar outros valores espirituais e metafísicos vindos do Oriente. A obra faz um giro de 360 graus em inúmeras dimensões da vida, com seriedade e com citações de inúmeros pensadores de credibilidade inabalável, mesmo aos mais resistentes a discussões que fujam ao pensamento cartesiano.
            Resolvi fazer este relato, pois este livro foi cair em minhas mãos de modo inesperado. Um conhecido praticamente me obrigou a ficar com o livro há um tempo atrás. Não quis bancar o mal-educado e levei o livrinho de capa vermelha não muito convidativa pra casa. Durante um tempo, andei com ele para lá e para cá louco para vendê-lo a  um sebo e  conseguir alguns trocados. Se conseguisse 5 reais já dava para tomar uma cervejinha no boteco com algum amigo. Afinal, o que um livro chamado Conspiração aquariana, transformações sociais na década de 80 (!!!) poderia oferecer? Achei que a obra seria um tanto quanto anacrônica. Um belo dia, ao ler um livro de astrologia, eis que leio uma citação desta obra e, por conta disso, resolvi encetar a leitura. Eis que tudo começou a fazer sentido, pois a obra é, de fato, revolucionária!
        Fico intrigado como o universo se encarrega de colocar nas nossas mãos aquilo que necessitamos, dos modos mais inesperados. Eis a sincronicidade junguiana! E isso vale não só para livros que nos chegam “ao acaso”, como pessoas que conhecemos na padaria e modificam as nossas vidas de modo indelével... E o mais "mágico" é que as coisas têm o seu tempo: se eu tivesse começado a fazer a leitura do livro no dia em que o recebi, provavelmente não teria passado da décima página. Eu o li quando ele era para ser lido. Nem um dia a mais, nem um dia a menos. Eis o fluxo da vida entornando sua força em nossas almas. Quantas vezes acabamos nos auto-sabotando e interrompendo o fluxo com nossas "nóias", com nosso ego sedento de glória, com nossa vontade de cristalizar o futuro.
              Talvez a grande sacada seja perceber que tudo é e pode ser mais simples. Não é preciso levar tudo na ponta da faca, nem nos levar tão a sério. E o que é mais engraçado é que tudo pode ser como pode não ser. O que digo talvez seja uma bobagem, mas, no momento, neste exato momento, é a minha verdade. A minha verdade efêmera, mas vital! Alimento-me dela e com ela me mantenho até dialeticamente encontrar uma outra, ad infinitum...
           Bom, era só isso! Apenas um desabafo de alguém com vontade de dialogar sobre Deus, o mundo e seu tempo. Se vocês se interessaram pelo livro, não é necessário que saiam correndo para os sebos em sua busca. Caso haja a necessidade interna de sua leitura, não tenham dúvida, amanhã ou depois, ele estará ali na banquinha de livros usados do seu Zé, jogado num cantinho, quem sabe até com um pouco de poeira, esperando somente a sua chegada e o seu deleite.