2011

   
              Não sei se tive alguma alucinação, se bebi demais, mas creio ter ouvido há pouco tempo a informação de que haviam descoberto mais de dez pirâmides no Egito. Para ser mais exato, 17 pirâmides, 1.000 tumbas e 3.000 assentamentos. E eu me pergunto se, de fato, enlouqueci pois a notícia foi dada de uma maneira tão rápida, tão efêmera, quase protocolar, que às vezes duvido tê-la realmente escutado. 
            A novidade foi dita como se a coisa em si não tivesse uma grande relevância para o mundo, como se a descoberta de 17 pirâmides fosse algo que dissesse respeito única e exclusivamente ao History Channel, à Arqueologia, como se a Arqueologia fosse uma ciência menor que se preocupa tão somente em achar cacos do passado remoto com pouca ou nenhuma importância para a contemporaneidade.
            Sinceramente, não acredito que um fato desta magnitude possa ser negligenciado assim. É claro, diante de tantas transformações, mutações, descobertas, rupturas, rachaduras, erupções, abalos sísmicos e o diabo a quatro, talvez tenhamos criado uma espécie de neutralizador/banalizador das grandes impressões. Mas – agora lançando mão de conceitos mais psicanalíticos – tudo aquilo que não é visto de maneira adequada e clara, não é recalcado? Então me pergunto: onde iremos recalcar fatos tão gigantescos! No inconsciente (!), me dirão de imediato. Entretanto, calculo cá com meus botões, parece-me que o caso seja justamente o contrário: é o inconsciente que está em processo de expurgo, vomitando aos quatro cantos uma mensagem criptografada que muitos, à beira de ataques de nervos – seja pela complexidade sistêmica, seja pela fronteira entre sanidade e loucura que questões deste gênero envolvem – tentam decifrá-la!
        “Há mais coisas entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia pode imaginar” já dizia/repetia/captava Shakespeare, entretanto não esperávamos que seriam justamente o céu e a terra os “(inter)locutores” deste texto sagrado. E, sinceramente, creio que a leitura de que a Terra está apenas se manifestando para castigar as más ações do Homem que há séculos vêm – de fato – domando a Natureza é apenas uma das leituras possíveis. Parece-me que, na verdade, a própria concepção de crime, culpabilidade e castigo esteja em xeque, assim como inúmeros outros conceitos deste paradigma antigo que está por ruir... A propósito, e finalizando com mais uma “boa” nova: cientistas franceses estão em vias de confirmar que a velocidade do neutrino é maior do que a da luz, derrubando a proposição einsteiniana até então inabalável!