Não
sei se tive alguma alucinação, se bebi demais, mas creio ter ouvido
há pouco tempo a informação de que haviam descoberto mais de dez
pirâmides no Egito. Para ser mais exato, 17 pirâmides, 1.000 tumbas
e 3.000 assentamentos. E eu me pergunto se, de fato, enlouqueci pois
a notícia foi dada de uma maneira tão rápida, tão efêmera, quase
protocolar, que às vezes duvido tê-la realmente escutado.
A novidade foi dita como se a coisa em si não tivesse uma grande relevância para o mundo, como se a descoberta de 17 pirâmides fosse algo que dissesse respeito única e exclusivamente ao History Channel, à Arqueologia, como se a Arqueologia fosse uma ciência menor que se preocupa tão somente em achar cacos do passado remoto com pouca ou nenhuma importância para a contemporaneidade.
A novidade foi dita como se a coisa em si não tivesse uma grande relevância para o mundo, como se a descoberta de 17 pirâmides fosse algo que dissesse respeito única e exclusivamente ao History Channel, à Arqueologia, como se a Arqueologia fosse uma ciência menor que se preocupa tão somente em achar cacos do passado remoto com pouca ou nenhuma importância para a contemporaneidade.
Sinceramente, não
acredito que um fato desta magnitude possa ser negligenciado assim. É
claro, diante de tantas transformações, mutações, descobertas,
rupturas, rachaduras, erupções, abalos sísmicos e o diabo a
quatro, talvez tenhamos criado uma espécie de
neutralizador/banalizador das grandes impressões. Mas – agora
lançando mão de conceitos mais psicanalíticos – tudo aquilo que
não é visto de maneira adequada e clara, não é recalcado? Então
me pergunto: onde iremos recalcar fatos tão gigantescos! No
inconsciente (!), me dirão de imediato. Entretanto, calculo cá com
meus botões, parece-me que o caso seja justamente o contrário: é o
inconsciente que está em processo de expurgo, vomitando aos quatro
cantos uma mensagem criptografada que muitos, à beira de ataques de
nervos – seja pela complexidade sistêmica, seja pela fronteira
entre sanidade e loucura que questões deste gênero envolvem –
tentam decifrá-la!
“Há mais coisas
entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia pode imaginar” já
dizia/repetia/captava Shakespeare, entretanto não esperávamos que
seriam justamente o céu e a terra os “(inter)locutores” deste
texto sagrado. E, sinceramente, creio que a leitura de que a Terra
está apenas se manifestando para castigar as más ações do Homem
que há séculos vêm – de fato – domando a Natureza é apenas
uma das leituras possíveis. Parece-me que, na verdade, a própria
concepção de crime, culpabilidade e castigo esteja em xeque, assim
como inúmeros outros conceitos deste paradigma antigo que está por
ruir... A propósito, e finalizando com mais uma “boa” nova:
cientistas franceses estão em vias de confirmar que a velocidade do
neutrino é maior do que a da luz, derrubando a proposição
einsteiniana até então inabalável!
