Fico impressionado com a manutenção de determinadas posturas de divulgação eleitoral que parecem – ao menos para mim – agir como uma espécie de contra-propaganda. Pergunto-me: «O que um candidato quer dizer exatamente quando coloca cidadãos encoletados com seu nome e número em letras garrafais segurando uma bandeira gigantesca que fica sacolejando todas as vezes que o sinal vermelho é acionado no trânsito?». Se ao menos percebêssemos que muitos deles estão ali para defender a ideologia do seu candidado, por amor à causa nobre e justa que acreditam estar expondo, mas, não! É muito provável que em sua grande maioria todos estejam ali pelo pouco dinheiro que recebem e, é óbvio, pela extrema necessidade destes quinhões.
E isso é apenas um dos exemplos – e, aliás, um dos menos agressivos – do que acontece neste período de quase-transe coletivo por parte de uns e de quase-letargia por parte de outros. É uma rede tão confusa de absurdos, de mise-en-scènes oficializadas, de quase-carnavalizações que não sabemos exatamente o que pensar, nem como agir.
O que dizer do programa eleitoral gratuito?!?! O que é o número absurdo de candidatos que mais parecem fazer parte das pré-seleções do programa Ídolos do que sérios concorrentes ao Poder Público?! Não sei se fico com raiva ou com pena do candidato que age assim, pelo non-sense de suas ações ou pela sua ingenuidade, respectivamente.
E falo ingenuidade pois imagino que muitos se candidatam – e muitos acabam infelizmente entrando e se enredando na teia da politicagem – pela ilusão de que o “mundo da política” (pensando-o aqui em seu strictu sensu) é o tão sonhado paraíso da mamata, do “trabalha-se-pouco-e-ganha-se-muito” e quando lá chegam percebem que o buraco é mais embaixo, que a rede de poder é absolutamente mais complexa do que isso, que os duelos são titânicos, que os embates são vorazes e que para se virar um joguete do sistema basta uma piscadela fora do foco.
Que foco?!?! O de que a única razão para estarem lá é o fato de terem se comprometido com o bem coletivo e não com o bem particular e egoísta. Todo político precisa necessariamente ser um idealista. E todo idealista necessariamente é um altruísta! Um silogismo que, infelizmente, nem sempre é verdadeiro em meio a tantos sofistas tentando nos engrupir com mensagens subliminares, bandeiras, outdoors, discursos clichês, spam's e uma gama enorme de tantas outras poluições sonoro-visuais.


