É realmente difícil fazer um comentário a esta questão sem sermos parciais e superficiais ao mesmo tempo, pois estamos lidando com temas de uma complexidade profunda em que o clássico maniqueísmo do certo e do errado não faz sentido algum. Mas, de qualquer modo, parece-me que independentemente da complexidade do assunto é possível afirmarmos que todo e qualquer tipo de intolerância é algo negativo e, neste sentido, condenável. Entretanto, a quem condenaríamos se a intolerância e o radicalismo estão presentes nas ações das duas partes envolvidas na questão?
       O que me parece óbvio (obviedade esta vinda de uma perspectiva distanciada e, portanto, absolutamente parcial, é claro) é que a ação de queimar o Corão em praça pública seria o agente de muito mais problemas do que propriamente de soluções à convivência entre muçulmanos e protestantes. A destruição de uma obra sagrada (e mais do que isso: da obra basilar que fundamenta toda a religião islâmica) no fogo seria metonimicamente a reinstauração da própria Inquisição.
       E agora, José? O que faríamos diante da menção a este cruel episódio da História promovido por cristãos e protestantes? Neutralizaríamos os dois discursos radicais? Ou queimaríamos o Corão e a Bíblia na mesma fogueira?!?!

A propósito do Pastor que quis queimar o Corão

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