O início do filme é soberbo! Uma das cenas de sexo mais belas que já vi no cinema: pelas angulações dos corpos, pela tonalidade azulada que cria uma atmosfera celestial a um ato concupiscente, pelo tempo desacelerado que dá uma certa poesia à cena. A pulsação dos corpos é uma dança, a música é orgásmica e, finalmente, o desenrolar da movimentação da criança ao sair do berço, correr em direção à janela e jogar-se de braços abertos de maneira intercalada ao ato sexual cria um contraste sacro-profano que é o propulsor de todo o drama arquetípico triádico: mãe, pai e filho.
A relação psicanalítica entre marido e esposa é um outro fator relevante pela criação da hipertensão fruto da transgressão de pressupostos éticos psicanalíticos; o processo depressivo da personagem feminina é visceral e a relação que se estabelece entre os dois personagens incarna a própria relação entre os pólos masculino e feminino, que extrapola a relação homem x mulher e adquire todos os aspectos polarizados no conceito do Tao. O masculino caracterizado pela frieza, distanciamento, objetividade, pela atividade etc., etc., e a mulher pela subjetividade, pela passividade, pela dimensão uterina do ser. Útero este representado pela própria floresta para onde eles vão e onde o jogo vira, pois é o terreno por excelência feminino. Tanto que a floresta e a casa (outro símbolo fortíssimo, potencializado pelo fato de estar no meio da floresta) já estavam presentes no universo inconsciente da esposa. Aquele espaço acaba representando o próprio inconsciente, uma dimensão desconhecida, que quebra com a perspectiva racional, linear e cartesiana do marido.
E é no momento em que há a quebra que o jogo muda. A mulher acaba assumindo o arquétipo da feiticeira, legitimado pela sua pesquisa particular (que, se não me falha a memória, era descreditada pelo próprio marido que, creio eu, a subestimava intelectualmente).
Do pânico psíquico da mulher e do domínio do homem surge o processo de inversão: a mulher, agora identificada com a própria natureza (inclusive e sobretudo com a natureza noturna e uterina) transforma-se, traz à tona a fêmea visceral e constrói junto com a natureza – que assume, digamos, uma espécie de personificação – um terreno desconhecido e destruidor para a mente do homem.
E é no momento em que há a quebra que o jogo muda. A mulher acaba assumindo o arquétipo da feiticeira, legitimado pela sua pesquisa particular (que, se não me falha a memória, era descreditada pelo próprio marido que, creio eu, a subestimava intelectualmente).
Do pânico psíquico da mulher e do domínio do homem surge o processo de inversão: a mulher, agora identificada com a própria natureza (inclusive e sobretudo com a natureza noturna e uterina) transforma-se, traz à tona a fêmea visceral e constrói junto com a natureza – que assume, digamos, uma espécie de personificação – um terreno desconhecido e destruidor para a mente do homem.

