Eis que início este processo de auto-revelação! Durante muito tempo, hesitei em realmente dizer o que penso em relação às coisas por vários motivos, muitos deles díspares entre si. Mas, ok, vamos lá... A primeira questão que surge, é claro, diz respeito à relevância daquilo que será dito. Por que cargas d'água seria interessante aquilo que escrevo? Para que escrevo? E, sobretudo, para quem? Quem irá interessar-se por relatos pessoais de alguém desconhecido? Seriam eles tão pessoais assim? O que de mim é pessoal e o que de mim é coletivo? E por aí as ramificações mentais se estendem a perder-se de vista... Na verdade, elas são tantas que não importa por onde irei começar, pois, necessariamente, o discurso correrá o risco de ser obtuso. Daí a escolha do "gênero diário" como recurso estruturador e regulador. Entretanto a ele imbrica-se o adjetivo "virtual" que desestrutura tudo.
Uma caixa preta, uma luva de boxe, uma garrafa poética jogada ao mar, pequenas pedras caindo no rio calmo e, quem sabe, acionando concentricidades. Processo de “criação literária” (ou talvez não) sui generis e desprovido de maiores conceitos a respeito de si mesmo. Um lugar, um entre-lugar, um espaço cibernético cujo destino é absolutamente (o) inesperado. Um registro de pensamentos sobre quaisquer coisas. Um exercício de liberdade de expressão. Um lugar cinicamente neutro. De uma neutralidade comprometedora. Uma camada neutrínica. Um subterfúgio de “reflexidões”!