Eis que início este processo de auto-revelação! Durante muito tempo, hesitei em realmente dizer o que penso em relação às coisas por vários motivos, muitos deles díspares entre si. Mas, ok, vamos lá... A primeira questão que surge, é claro, diz respeito à relevância daquilo que será dito. Por que cargas d'água seria interessante aquilo que escrevo? Para que escrevo? E, sobretudo, para quem? Quem irá interessar-se por relatos pessoais de alguém desconhecido? Seriam eles tão pessoais assim? O que de mim é pessoal e o que de mim é coletivo? E por aí as ramificações mentais se estendem a perder-se de vista... Na verdade, elas são tantas que não importa por onde irei começar, pois, necessariamente, o discurso correrá o risco de ser obtuso. Daí a escolha do "gênero diário" como recurso estruturador e regulador. Entretanto a ele imbrica-se o adjetivo "virtual" que desestrutura tudo.
                 

Inexorabilidade do discurso obtuso